IVAN FLOATER

    Ivan Floater (perfil),
    Para quem não conhece é um aficionado por windsurf, o cara possui um currículo enorme, que inclui realizações. Entre elas; produziu o primeiro filme de windsurf feito no país, o “Floater the First Expedition”, criou o ABPV News, o circuito brasileiro de windsurf e trouxe o mundial da PWA para o Brasil quando presidente da ABPV, já organizou inúmeros campeonatos de windsurf e de 98 até 2000 editou a Wind Action, produz pranchas de windsurf desde os anos 80, mas foi em 99, quando deu uma verdadeira cambada na sua vida, trocando a loucura de SP, a segunda maior cidade do mundo com 17 milhões de habitantes, pela paradisíaca praia de Ibiraquera, na época da mudança com 96 habitantes.

    Natural de SP, cancêriano, solteiro, matemático, professor universitário, aprendeu a velejar de windgllider na represa de Guarapiranga em 1979, porém passados seis meses, indignado com a falta de mobilidade do equipamento, resolveu cortar sua prancha ao meio para tentar transforma-la, segundo ele: aquela “bóia gigante” numa “saltadeira” (nome na época das pranchas utilizadas nas ondas).
    A brincadeira despertou o desejo de fazer suas próprias pranchas,..., em seguida para alguns amigos e hoje passados mais de 20 anos, 9 viagens para o HI permutando tecnologia, entre windsurf, surf, kite, skysurf, somam aproximadamente 3 mil pranchas shapeadas.

    – Conta tudo?
    I.F. - O que eu realmente queria, era velejar nas ondas. Morando em SP, eu tentava fazer isso nos finais de semana, em Maresias ou Baraqueçeba. Na época, só existiam equipamentos importados e de difícil acesso, foi quando eu criei a Floater. Só que, ao passar dos anos, quanto mais eu me envolvia com o windsurf, mais eu me afastava do velejo,..., enquanto isso, meus amigos me ligavam de Ibira e colocavam o celular no vento para eu ouvir o barulho - pura sacanagem!, uma verdadeira tortura. Foi quando eu me dei conta, que tinha alguma coisa errada na minha vida. Hoje eu percebo claramente que apesar de muitos projetos realizados, o que mais me orgulho é ter chutado o balde e ter vindo morar em Ibiraquera.

    Não existe nada melhor, que trabalhar com que se gosta e ainda poder morar onde você quer. Shapear uma prancha a noite, após um dia de velejo clássico com os amigos, ouvindo barulho de grilos, não é uma coisa fácil de explicar apenas com palavras.
    Sem dúvida, toda essa mudança e esse novo estilo de vida, refletiu diretamente na qualidade do meu trabalho. Nos últimos quatro anos graças a velejadores como o Konan, o Wilhelm, mas principalmente o Kauli, meu trabalho passou a ser reconhecido internacionalmente e após essas duas últimas temporadas desenvolvendo protótipos para o Kauli, a AHD sua patrocinadora, rendeu-se aos resultados e ao sucesso dessa parceria e vai lançar dois modelos da linha 2005 assinados por mim.
    Essa talvez, seja a maior das recompensas, atualmente o Kauli é o velejador mais badalado do mundo e a maioria dos velejadores deseja ter uma prancha igual a dele e essas sou eu quem faz.

    Isso tudo é glorioso! mas por outro lado, não podemos nos prender ao passado, nem mesmo ao presente, pois esse é momentâneo. Nós temos que acreditar mais em nosso potencial e investir-mos mais na formação de novos atletas, estamos atravessando uma fase muito boa e o windsurf mundial está de olho no Brasil. O estrangeiro cada vez mais quer consumir nossos produtos e conhecer nossos picos de velejo.
    Não podemos perder essa oportunidade! A habilidade e a criatividade do brasileiro é inquestionável, temos uma geração nova de velejadores pronta para explodir, basta acreditar e incentivar.

    O windsurf sempre foi visto como um esporte elitisado, mas atualmente, existe uma quantidade enorme de equipamentos de segunda mão no mercado, de boa qualidade e com um pouco de pesquisa e uma boa orientação é possível você iniciar no esporte gastando bem menos que se imagina.
    Existe muitos tipos de equipamentos, pois eles abrangem diversas modalidades de windsurf e isso confunde muito o consumidor.
    Quando eu comecei a velejar, não existia informação alguma, era tudo novidade. Na época, o que me atraiu para o esporte, foi a imagem da gata deitada atrás da prancha do Fábio Júnior na abertura da novela Água Viva. Eu achei que queria um windsurf só para transar em cima dele, depois eu descobri que o que eu queria mesmo era velejar nas ondas, além disso dava para continuar transando na metade que eu não velejava, risos...
    Hoje não é preciso ser tão radical, existe vários velejadores camaradas, escolas, lojas, sites e a própria Gust para orientá-lo e isso pode fazer você poupar muito tempo e fazer uma grande economia.

    Antes de comprar uma prancha de windsurf, é fundamental você saber definir bem o que quer!
    Se você se identifica com regatas, ou longos passeios a contra vento, não perca tempo, vá direto para o Formula – essa é uma modalidade que está crescendo muito e ainda existe a possibilidade de ser a futura classe olímpica do windsurf.

    Caso você queira, algo um pouco mais manobravel, pois quer apenas se divertir, existem as pranchas de Free ride, elas são muito versáteis e possibilitam muita emoção. Mais ainda, dependendo do volume da prancha que você adquirir, ela pode ser tanto a prancha para você ensinar sua namorada, como a de você fazer as suas primeiras manobras de freestyle ou mesmo pular algumas marolas.

    Outra possibilidade, é você partir para o equipamento de Free style; essas são pranchas mais especificas, não recomendadas para iniciantes. Atualmente esse tipo de prancha, chegou-se a um nível de manobrabilidade que possibilita ao velejador deslizar sobre a água, praticamente em todas as direções. Só é preciso bastante treino e uma boa habilidade.

    Para os mais radicais, não existe outro caminho a não ser a adrenalina do windsurf nas ondas.
    Caso você queira iniciar no esporte, seja no Formula, Free ride, Free style ou nas ondas, existe uma quantidade enorme de modelos e marcas disponíveis no mercado que são as chamadas “pranchas de produção”. Elas são excelentes, tanto para aprender, se divertir, ou até mesmo para os primeiros passos nas ondas. Depois de um tempo, você pode partir para uma prancha custom, feita sobre medida, exatamente para você.

    A diferença básica, entre pranchas de produção e pranchas custom, como o próprio nome já diz, é a maneira e propósito para que são feitas.
    Atualmente, as pranchas de produção absorvem aproximadamente 95% do mercado mundial, elas são feitas, a partir de protótipos, desenvolvidos por shapers e atletas profissionais, para as grandes marcas. Normalmente, nesses projetos, objetiva-se utilizar as linhas e os conceitos de um modelo aprovado, tornando-o mais versátil possível, para satisfazer o velejador amador.
    O processo de fabricação de uma prancha de produção, basicamente consiste em preencher o molde, com camadas de fibras, espumas, resinas, caixas e plugs, como um bolo e recheios numa forma. Cada fabricante tem a sua receita e ela é quem vai definir, a qualidade final do produto.

    Quando falamos de pranchas custom, o objetivo é fazer o shape ideal para o tipo de condições na qual o velejador vai utiliza-la e o mais importante, atingir de acordo com a pretensão de cada um, o equilíbrio ideal entre o peso e a resistência. Isso só é possível, no processo artesanal de construção, que consiste, em shapear um bloco e revesti-lo com camadas de fibras nobres e espumas exóticas desejadas.
    Atualmente, nós contamos com um grande desenvolvimento tecnológico no campo dos materiais e compostos provindos da industria aéreo espacial e náutica, como; os aramidas, carbono, kevlar, espumas de PVC, PU, ABS, honey comb, resinas epóxi, etc.
    Com esses materiais, aplicados da forma correta é possível confeccionar um produto extremamente leve e com alta resistência, fundamental para um velejo de alta performance.

    Mas, o mais importante é que, independente do material que você tem ou pretende comprar é você não perder mais nenhum velejo.

    Mais informações - Ivan Floater – abfloat@zaz.com.br


    Foto 1 – Definir o rocker ideal é o passo mais importante para fazer um boa prancha.
    Foto 2 – Para fazer um shape de qualidade você leva de 3 a 4 horas e muita concentração.
    Foto 3 – Os compostos mais nobres da tecnologia aéreo espacial, atualmente são empregadas na construção das pranchas de windsurf.
    Foto 4 – O computador com sua precisão numérica, é uma das ferramentas necessárias para desenvolvimento de modelos eficientes.
    Foto 5 – A camada de fibras laminadas à vácuo, é protegida com uma camada de tinta náutica de alta resistência.
    Foto 6 – Só depois que a prancha está totalmente impermeabilizada e curada, são abertas as caixas de quilha e mastro.
    Foto 7 – Cada prancha pronta é o resultado de um trabalho artesanal que dura aproximadamente 20 dias.